A eleição presidencial de 2026 no Brasil trouxe à tona discussões sobre saúde digital e soberania dos dados. Flávio Bolsonaro e Lula representam caminhos distintos para o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) e a proteção dos dados dos cidadãos.
A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula
A recente eleição presidencial no Brasil evidenciou uma polarização clara em relação ao futuro da saúde digital no país. Com Flávio Bolsonaro, o risco é de uma maior submissão às Big Techs e a entrega dos dados dos cidadãos brasileiros aos interesses estrangeiros. Em contrapartida, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva representa uma oportunidade de construir uma infraestrutura nacional que potencialize um SUS mais forte e acessível.
O professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC (UFABC), destacou que, sob um governo de extrema-direita, a mobilização popular será crucial para proteger os dados dos cidadãos, que podem ser instrumentalizados para interesses financeiros.

Desafios da saúde digital sob uma perspectiva neoliberal
Com a eventual ascensão da saúde digital na administração de Flávio Bolsonaro, surgem preocupações acerca da desarticulação dos serviços públicos através da privatização e terceirização. Pesquisadores alertam sobre o risco de que a implementação do modelo Open Health ofereça um prontuário eletrônico único que poderia facilitar o acesso a informações sensíveis sem a devida proteção da privacidade dos cidadãos, favorecendo o lucro de corporações em detrimento do direito à saúde.
Amadeu adverte que esta dependência de empresas privadas pode resultar na perda da capacidade estatal de gerir serviços de saúde, reforçando a lógica neoliberal que coloca os interesses comerciais acima do bem-estar social. A entrada de Big Techs no setor pode transformar dados pessoais em mercadorias, o que compromete a autonomia do SUS e expõe a vulnerabilidade da infraestrutura nacional.
Avanços do governo Lula na soberania digital
Durante o governo Lula, é perceptível um esforço para integrar soluções digitais que ampliem a eficácia do sistema público de saúde. Entretanto, a dependência da Amazon Web Services ainda prevalece, armazenando informações vitais do SUS. O anúncio da criação da Nuvem Soberana, gerida pelo Serpro, indica um passo significativo rumo à soberania digital, permitindo que o Brasil administre seus próprios dados sem depender de empresas estrangeiras.
Amadeu enfatiza que a verdadeira soberania digital não se limita a diversificar fornecedores, mas sim a desenvolver capacidades próprias para administrar e proteger as infraestruturas digitais. Essa estratégia exige um compromisso firme com o fortalecimento do comércio e tecnologia locais, além de fomentar um planejamento que envolva a sociedade civil.
Alternativas para uma saúde digital soberana
Para assegurar uma saúde digital que priorize os interesses da população, é fundamental que o Estado utilize sua capacidade de aquisição para investir em soluções tecnológicas nacionais. Amadeu defende que o fortalecimento das estruturas brasileiras deve vir acompanhado de um planejamento participativo, envolvendo universidades e movimentos sociais. Sem essa mobilização, o avanço das políticas poderá ficar comprometido, limitando a capacidade de enfrentar os interesses do setor privado.
Além disso, parcerias internacionais que busquem desenvolvimento compartilhado, ao invés de submissão, são vitais. A colaboração com países que partilham interesses em tecnologia e saúde deve ser priorizada, em vez de depender de relações comerciais dominadas por corporations do Norte. Essas alianças podem assegurar um futuro onde a saúde digital beneficie a todos, sem comprometer a segurança e a privacidade dos dados dos cidadãos.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.
