A pesquisa de mestrado da UFU investiga a falta de transparência nas filas de espera para procedimentos do SUS em Uberlândia.
A professora Cândice Lisboa Alves ressalta que a efetividade do direito à saúde é um desafio que persiste há mais de 20 anos, desde a criação do SUS pela Constituição de 1988.
A dissertação, elaborada por Thais Pereira, aponta que a falta de informações sobre a posição do paciente nas filas gera insegurança e fragiliza a confiança no sistema de saúde.

Pereira enfatiza que a atualização das filas e melhorias na comunicação são essenciais para que os cidadãos consigam planejar suas necessidades de saúde.
Desafios na gestão do SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição Federal de 1988, tem como premissa garantir o acesso à saúde como um direito fundamental dos cidadãos brasileiros. No entanto, a gestão deste sistema enfrenta vários desafios, entre os quais se destaca a demora no atendimento. A professoranda da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Thais Pereira, em sua dissertação de mestrado sob a orientação da professora Cândice Lisboa Alves, analisa a falta de transparência no sistema de filas de espera na saúde pública, especialmente em Uberlândia.
Apesar da importância do SUS para a população, a efetividade do direito à saúde ainda é um desafio. A pesquisa de Pereira revela que nenhum serviço opera de forma perfeita, destacando que as falhas estão relacionadas principalmente à gestão das listas de espera, que carecem de sincronismo e atualização constante.
Falta de transparência nas filas de espera
A pesquisa assinada por Thais Pereira revela que não existe um mecanismo eficaz que permita ao paciente saber sua posição na fila de espera para exames, o que resulta em grande angústia e incertezas. Sem informações claras, o paciente não consegue planejamento adequado, levando muitos a recorrerem ao setor privado com custos elevados ou, em casos mais tristes, a perderem a vida sem terem conseguido o atendimento necessário a tempo.
Esta situação gera uma falta de confiança no sistema de filas de espera na saúde pública. A pesquisadora enfatiza a necessidade de que as listas de espera sejam não apenas mais transparentes, mas também que incluam canais de comunicação diretos com os pacientes, para que eles possam ser informados sobre a dinâmica do atendimento e a previsibilidade de quando poderão ser atendidos.
A proposta de um processo estrutural
Pereira sugere que o modelo do processo estrutural poderia ser uma solução para os problemas enfrentados no SUS. Esse modelo envolve o Judiciário em ações que visem reformar a estrutura das instituições públicas, ao invés de simplesmente resolver casos isolados. A ideia é que, analisando o todo, seja possível identificar as causas que geram a demanda de atendimentos e, assim, promover melhorias significativas em vez de remediar apenas as consequências.
Para que essa abordagem seja efetiva, é vital que os gestores públicos colaborem com as determinações judiciais e estejam dispostos a realizar as reformas necessárias. A professora Cândice Lisboa Alves acredita que, por meio dessa mudança de perspectiva, pode-se não apenas diminuir o tempo das filas, mas também garantir um atendimento mais adequado e humanizado aos usuários do SUS.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

