Ministro defende regra para publicidade de apostas e destaca risco à saúde


O cenário das apostas no Brasil vem ganhando destaque à medida que o debate sobre sua regulamentação se intensifica. Nos últimos anos, atividades relacionadas a jogos de azar, especialmente aquelas que acontecem online, tornaram-se cada vez mais populares, atraindo tanto usuários quanto investidores. No entanto, essa popularidade também levantou importantes questões relativas à saúde pública, levando diversas autoridades a se pronunciarem sobre o tema. Em especial, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, colocou em pauta a necessidade de regulamentar a publicidade de casas de apostas, alertando para os riscos associados ao vício em jogos.

Ministro defende regra para publicidade de apostas e destaca risco à saúde

Recentemente, o ministro Alexandre Padilha compartilhou sua visão sobre a regulamentação das propagandas de casas de apostas, propondo que sejam seguidas diretrizes similares às que regem a publicidade de produtos nocivos, como é o caso do cigarro. Segundo ele, o vício em jogos representa um problema significativo de saúde pública que não pode ser ignorado. Essa correlação é especialmente relevante em um país onde milhões de pessoas podem ser afetadas pelo acesso irrestrito a plataformas de apostas online, criando um ciclo de dependência prejudicial.

A proposta do ministro visa não apenas restringir a forma como as casas de apostas se promovem, mas também aumentar a conscientização sobre os perigos que essas práticas podem trazer à população. A regulamentação poderia funcionar, portanto, como uma ferramenta para proteger aqueles que estão mais suscetíveis ao vício, seguindo o exemplo de medidas já implementadas na proibição de publicidade de produtos prejudiciais à saúde.


Avanços e desafios

Apesar dos recentes movimentos para combater o vício em apostas, Padilha reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer. O Ministro indicou que, embora já tenham sido feitos progressos, como a implementação de sistemas de monitoramento e apoio, é imperativo que novos recursos e medidas sejam adotados para manter o controle sobre essa questão. Os danos causados pelo envolvimento excessivo em jogos de azar são cada vez mais reconhecidos, e a necessidade de uma abordagem sistemática e abrangente se torna evidente.

Um desafio central é a falta de dados completos e precisos sobre a prevalência do vício e suas consequências na sociedade. A falta de informação dificulta a elaboração de políticas públicas eficazes. Por isso, além de promover a regulamentação da publicidade, é essencial que o governo invista na coleta de dados que possam embasar decisões e ações futuras no enfrentamento desse problema de saúde pública.

Atendimento pelo SUS

Reconhecendo a gravidade da situação, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer, desde março, um serviço de teleatendimento voltado para aqueles que apresentam comportamentos compulsivos em relação a apostas. Este serviço representa um passo importante para o enfrentamento do vício, já que oferece um suporte acessível e confidencial para quem busca ajuda.


O atendimento disponibilizado pelo SUS é gratuito e pode ser acessado por qualquer pessoa maior de 18 anos. Além disso, o serviço também está acessível a familiares e à rede de apoio, permitindo uma abordagem mais ampla e integrada ao problema. Isso contribui significativamente para a quebra do estigma associado ao vício em apostas e promove um ambiente de apoio contínuo para aqueles que estão lutando contra essa compulsão.

Como funciona

As consultas no âmbito desse teleatendimento são realizadas por videochamada, com uma duração média de 45 minutos. O atendimento pode incluir até 13 sessões, de acordo com a necessidade de cada paciente, além de consultas individuais e em grupo. A proposta é envolver também a rede de apoio, que pode ser essencial para a recuperação.

A equipe que realiza esse atendimento é composta por profissionais qualificados, incluindo psicólogos e terapeutas ocupacionais. Quando necessário, há também a disponibilidade de apoio psiquiátrico, assegurando que as pessoas recebam um tratamento abrangente e ajustado às suas necessidades.

Como acessar

A acessibilidade ao serviço é facilitada pelo aplicativo Meu SUS Digital, onde o usuário pode seguir um processo simples para agendar seu atendimento. As etapas incluem fazer login com uma conta gov.br, acessar a aba “Miniapps” e selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. Esse tipo de interface busca não apenas tornar o serviço mais acessível, mas também incentivar as pessoas a buscarem ajuda quando necessário.

Essa facilitação no acesso ao atendimento pode levar a um aumento na procura por ajuda, o que é crucial para a prevenção de complicações mais sérias relacionadas ao vício em apostas.

Avaliação e encaminhamento

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Antes de iniciar o atendimento, os usuários passam por um autoteste validado, que ajuda a identificar o nível de risco associado ao seu comportamento em relação aos jogos. Dependendo dos resultados do teste, o usuário pode ser encaminhado diretamente para o teleatendimento caso o risco seja moderado ou alto. Para aqueles que forem avaliados com risco baixo, há orientação para buscar ajuda na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Esta etapa de avaliação é fundamental, pois possibilita um direcionamento adequado e garante que cada indivíduo receba o tipo de apoio que melhor atende seus desafios particulares.

Comentários finais

Com o aumento das modalidades de apostas e a facilidade de acesso proporcionada pela internet, a regulamentação da publicidade e a implementação de medidas de controle são passos fundamentais para proteger a sociedade, especialmente os mais vulneráveis. O trabalho do ministro Alexandre Padilha em conscientizar sobre os riscos associados às apostas é uma iniciativa que merece atenção e apoio, uma vez que aborda questões graves de saúde pública e responsabilidade social.

As ações do governo, como a oferta de atendimento psicológico gratuito e a regulamentação da publicidade de casas de apostas, refletem uma compreensão de que a saúde mental deve ser uma prioridade em nossas políticas públicas. Com a união de esforços de profissionais de saúde, governos e sociedade civil, há uma esperança real de que o Brasil possa enfrentar esses desafios e criar um ambiente mais seguro para todos.

Perguntas frequentes

Qual é a importância da regulamentação da publicidade de apostas?
A regulamentação é essencial para proteger a população dos riscos associados ao vício, promovendo uma conscientização sobre os graves problemas de saúde pública que podem emergir da prática compulsiva de jogos.

Quem pode acessar o serviço de teleatendimento oferecido pelo SUS?
O serviço está disponível para pessoas maiores de 18 anos e é também acessível a familiares e à rede de apoio, permitindo um atendimento mais integral e eficaz.

Como funciona o processo de agendamento para o teleatendimento?
O agendamento pode ser realizado através do aplicativo Meu SUS Digital, onde o usuário deve fazer login, acessar a aba “Miniapps” e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”.

Quantas sessões de atendimento estão disponíveis para cada paciente?
Cada paciente pode receber até 13 sessões, conforme a avaliação das suas necessidades individuais.

O que acontece após a avaliação inicial?
Dependendo do resultado do autoteste, o usuário pode ser encaminhado para o teleatendimento ou receber orientações para buscar a Rede de Atenção Psicossocial.

Quais profissionais compõem a equipe de atendimento no SUS?
A equipe é composta por psicólogos, terapeutas ocupacionais e, quando necessário, também conta com apoio de psiquiatra.

A regulamentação da publicidade de apostas pode ter efeitos positivos?
Sim, a regulamentação pode reduzir o impacto do vício em apostas, aumentando a conscientização sobre os riscos e contribuindo para a proteção da saúde pública.

Em suma, a discussão em torno da regulamentação da publicidade de apostas e suas consequências para a saúde pública é de grande relevância e merece atenção contínua. As iniciativas do governo, juntamente com o apoio da sociedade, podem desempenhar um papel vital na promoção de um ambiente mais saudável e seguro para todos os cidadãos.